Babel


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 Atlântida


 

Planta da cidade de Babel, com a disposição das muralhas

 

Toda a cidade de Babel é uma demonstração da soberba dos antigos imperadores kharis ou acadianos, que culminou na Torre de Babel. Permitiam seus feitos no campo da edificação a riqueza natural de seu país, seu poder sobre os povos vizinhos subjugados e não menos o domínio absoluto sobre seus súditos. A pessoa, a força ativa e a propriedade de cada um dos habitantes do reino naturalmente estavam de modo ilimitado à disposição do divino imperador. Comandava-os ele com seus jumentos, bois, cavalos e carretas, mandando-os construir muralhas, diques, represas e canais, ruas magníficas, templos e palácios.

Babel é um retângulo cercado de muros, com nada menos de 24 quilômetros de comprimento lateral, tendo, por conseguinte uma superfície de 576 quilômetros quadrados, maior que a da própria Atlântis.

No auge do poder khari, sob Osíris, a população da metrópole chegou a dez milhões de habitantes. Depois, chegou a decair para menos de dois milhões de habitantes. Atualmente, como capital do protetorado atlante da Caldéia, sua população é de 4,32 milhões de habitantes, o que faz dela a segunda maior cidade do Império Atlante em população.

O imperador Dagon protegeu Babel com um possante sistema de fortificações, composto de cinco muralhas. Circundou a cidade interna com uma muralha dupla cuja espessura, com o enchimento de terra entre as duas paredes de tijolos, é de 27 metros e sua altura, de 110 metros.

No alto da muralha há edificações de um andar, dispostas de maneira a sempre ficarem duas se confrontando. Entre essas torres, uma rua dá passagem para um carro de quatro cavalos. Há ao redor, em toda a muralha, 250 torres de guarda e cem portões, todos de latão, como o são também os esteios e as vigas transversais. Aquele monstro de muralha estende-se ao redor de um traçado urbano retangular, dos dois lados do Eufrates.

Uma segunda muralha, não retilínea, cerca o castelo principal ou cidadela, o palácio de verão e o centro da cidade. A área por ela cercada cobre 75 quilômetros quadrados e 25 portões a conectam com o rio Eufrates, que a atravessa diagonalmente. É a residência dos mercadores ricos e da nobreza.

Uma terceira muralha, dupla, cerca o núcleo central, o sagrado distrito dos templos. Sua extensão em sentido oeste-leste é de cinco quilômetros e seu comprimento norte-sul de três quilômetros, cobrindo quinze quilômetros quadrados.

A Torre de Babel, vista dos Jardins Suspensos

Além do muro em torno da cidade externa, do muro intermediário dos dois muros em torno do centro da cidade, Dagon mandou construir ainda uma quinta fortificação no ponto onde o Eufrates e o Tigre mais se aproximam um do outro ao norte de Babel, que se estende de rio a rio com 30 quilômetros de comprimento.

Dagon também construiu quatro canais do Eufrates ao Tigre, dois canais paralelos ao Eufrates e ao norte da Babel e uma represa para regular as inundações, criando um lago artificial de 480 quilômetros quadrados.

As duas metades da parte interna da cidade, separadas pelo Eufrates, são ligadas por uma ponte de pedra com um quilômetro de comprimento. Sobre os pilares de pedra descem durante o dia, dos dois lados, pontes levadiças de madeira, pelas quais passam os habitantes de Babel. À noite, porém, a ponte é erguida, para que não passem durante a noite e roubem uns aos outros.

Dagon ergueu na cidade externa seu palácio de verão e transformou o castelo meridional da cidade interna em seu palácio principal, por fora uma fortaleza de aspecto agressivo e sombrio, por dentro adornado com relevos de tijolos coloridos e com as riquezas do mundo inteiro. A sala do trono mede 90 por 36 metros. Sucessivas novas construções ampliaram o castelo, transformando-o numa cidade palaciana de 36 hectares e com uma periferia de 2,4 quilômetros, cercada por um parque de palmeiras e ciprestes. Ainda hoje é usado pelos vice-reis da Caldéia.

Fazem parte do grande palácio de Dagon os Jardins Suspensos de sua esposa, Semíramis. Oriunda da Pérsia, sentia saudades das suas montanhas pátrias. Não recuando ante as despesas, o imperador criou para ela uma paisagem de montanha. Mandou instalar uma série de jardins elevados, ascendentes, em forma de terraços, dos quais o mais alto fica na mesma altura das torres da muralha interna da cidade. Os jardins são sustentados por abóbadas de tijolos. Em baixo deles ficam salões nos quais nunca penetra um raio de sol e que são ainda refrigerados pela irrigação artificial dos jardins. É como uma instalação de ar condicionado em meio ao escaldante calor do verão da Caldéia.

O chão é aplanado e densamente plantado de árvores de toda a espécie, cujo tamanho e beleza apresentam um quadro agradável. As fileiras de salões recebem claridade por se projetarem uma acima da outra. Neles há muitos aposentos régios, para vários fins. Num deles, porém, que tem aberturas para a superfície culminante, está instalado um serviço de bombas, com o qual se pode trazer água à vontade do rio, sem que se perceba coisa alguma de fora.

A construção mais imponente de Babel, porém, é a enorme Torre, com 200 metros de largura na base e 315 metros de altura. Seu possante volume domina o panorama da metrópole. Dagon admitiu que sua intenção era "competir com o céu". A torre devia manifestar não apenas o poder de Marduk, mas também o de seu representante na Terra e o esplendor de sua metrópole. Bruto e bombástico, coroava a atrevida presunção de Babel de ser o umbigo do mundo.

No templo de 15 metros de altura que constitui o último degrau da Torre, só é permitido o acesso aos sacerdotes. O templo é vidrado de azul por dentro e por fora e tinha telhado de ouro. Sobranceiro, de seu trono de trezentos metros, resplandece sobre toda a cidade e extensa região ao redor, santuário de Marduk e coroa da Terra.

Há nele um grande leito com mantas e almofadas e, ao lado, uma mesa de ouro. Lá não está colocada nenhuma efígie de um deus e nenhum mortal passa ali a noite a não ser uma única mulher, sozinha, uma das filhas da terra, que o deus escolhe entre todas. Pois os sacerdotes afirmam que o próprio deus procura esse templo e dorme no leito. É também ali que os sacerdotes pesquisavam a trajetória dos astros.

Também no distrito sagrado, ficam os templos de Ishtar, a deusa do amor e da fertilidade. Cada mulher de Babel deve ficar uma vez na vida nesse santuário e entregar-se a um homem estranho. Muitas, que não querem misturar-se com as outras mulheres por se orgulharem de sua riqueza, vão em carro fechado até o santuário e muitas aias as seguem. Muitas mulheres ficam sentadas juntas nesse distrito sagrado, com um cordel enrolado em torno da cabeça, como uma coroa. Umas vêm, outras se vão embora. Entre as fileiras de mulheres sentadas, há estreitas passagens em todas as direções, dê modo que os estranhos possam andar entre elas e escolher uma delas.

Uma vez ali sentada, a mulher não pode voltar para casa antes que um homem estranho lhe tenha atirado dinheiro ao colo e ela tenha-se entregue a ele, fora do templo. Ao atirar-lhe o dinheiro, porém, ele deve dizer: "Chamo-te em nome da deusa Ishtar”. O montante da quantia em dinheiro não tem qualquer importância; ela não o pode recusar, tal não lhe é permitido. O dinheiro pertence ao templo. Ela é obrigada a acompanhar o primeiro que lhe atira as moedas, não lhe sendo permitido recusar quem quer que seja. Quando se entregou ao homem, desta maneira tendo-se consagrado à deusa, ela volta para casa e a partir de então não há dinheiro, por mais que lhe ofereçam, que a induza a fazer o mesmo novamente. As mulheres que despertam a atenção por sua beleza e seu porte não tardam a voltar para casa, mas as feias esperam muitas vezes longo tempo sem poder cumprir a lei. Acontece até esperarem dois a três anos.

Há também prostitutas profissionais em grande número que também realizam serviço divino; chamam-se escravas do templo (hierodulas) e transmitem as bênçãos e o poder da deusa do amor. Cumpre-lhes também fazer a limpeza dos templos, tecer vestimentas para o culto, e apresentam-se como bailarinas e cantoras, acompanhadas pela música de harpas, liras, tambores e timbales por ocasiões das festas religiosas ou também nas casas de ricos cidadãos de Babel. Consta que na grande cidade seu número é superior a 100.000.

Outro magnífico templo de Marduk é o de Esagila, com 550 metros de comprimento. Dentro dele há uma grande figura sentada do deus, uma grande mesa, um tamborete e um trono, todos de ouro, totalizando mais de 21 toneladas de metal precioso. Há, no total, 53 templos e 1.300 altares em todo o distrito de templos, que também inclui depósitos, bazares e residências sacerdotais semelhantes a palácios. Ao redor, há inúmeras hospedarias para peregrinos, que de longe vêm a Babel para as grandes procissões de Marduk e Ishtar.

Dagon mandou construir especialmente para essas procissões uma rua magnífica, como ainda não existira outra igual. Ela começava na cidade externa, na grande cidadela, e através da famosa porta de Ishtar conduz para dentro da cidade interna. O enorme portão duplo é coroado de ameias e revestido de tijolos vidrados de azul, sobre os quais se destacavam mais de 500 relevos coloridos de touros e dragões. As portas são feitas de cedro e guarnecidas de chapas de cobre.

Passando pelo grande palácio de Dagon, na cidade interna, a avenida das procissões seguia para o sul, curva-se depois para o oeste e entre os dois distritos sagrados, com a torre e o templo de Esangila, conduz para a ponte sobre o Eufrates, que liga a metade oriental da cidade interna com a metade ocidental, menos luxuosa

A rua tem 23 metros de largura e é pavimentada com grandes placas de pedra. A parte situada na cidade externa, da cidadela até o portão de Ishtar, é ladeada por muros de sete metros de altura e vidrados de azul, nos quais, em relevos amarelos, brilham rosetas e cerca de 120 leões em marcha, cada um com dois metros de comprimentos. Entrar em Babel por aquela radiante avenida orlada de leões, através da porta de Ishtar, e depois deter-se ante a torre possante, que resplandece em dez cores, eis uma impressão que depois de Dagon talvez nenhum construtor de cidades tenha mais conseguido.

Nos dias santos passam pela luxuosa rua as grandes procissões que se dirigiam ao templo de Esangila e até ao segundo degrau da torre. Os sacerdotes levavam estátuas dos deuses e de milhares de peitos ecoam cânticos em louvor a Marduk.

Típica casa de Babel

A cidade está cheia de casas de três e quatro andares. É cortada em linhas retas por ruas, em parte paralelas ao rio, em parte em sentido transversal ao mesmo. Cada uma tem o nome de um deus. As casas particulares, na sua maioria, absolutamente não são magníficas e nem as ruas são muito largas. A população divide-se em sacerdotes e funcionários, soldados da guarda palaciana, negociantes e artesãos, lavradores e escravos.

Sua vestimenta consiste de um saiote de linho que chega até os pés e sobre ele vestem outro, de lã, e por último ainda um pequeno manto branco. Usam barba e cabelos compridos e envolvem a cabeça com faixas, besuntando todo o corpo. Todos usam um anel e um cajado esculpido.

O vice-rei e os sacerdotes usam vestimentas de luxo, de lã e seda, com bordados coloridos, tingidas com preciosa púrpura e entretecidas de fios de ouro. Tapetes ou cobertores de Babel, com desenhos bordados ou lavores de ouro alcançam preços fabulosos. Enchem o mundo de admiração o luxo, os mais preciosos produtos de todos os países que se acumulavam em Babel e os que os artesãos da metrópole deles fazem. Comerciam-se ali cobre e ouro do Egito, prata e estanho da Atlântida, incenso e especiarias da Arábia meridional, púrpura da Fenícia, azeite e vinho de Atenas, lã, seda e pedras preciosas da Pérsia, especiarias, marfim e brilhantes da Índia. A grande Babel deixou de ser a capital do mundo, mas ainda é o principal entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente, entre a Atlântida e o Império Uighur. Embarcações sobem e descem continuamente o rio Eufrates para Babel.

As mais típicas, porém, são as que apenas descem: são redondas, sem que se possa distinguir popa e proa, e feitas de couro, com estrutura de vime e fundo coberto de juncos. O que mais transportam são barris feitos de palmeira, cheios de vinho. São dirigidas por meio de dois longos varejões, por dois homens de pé dentro dela. Em cada uma delas há um burro vivo, nos maiores até vários. Quando chegam ao fim da viagem, a Babel e ali colocam sua mercadoria, vendem também as varas de vime e todo o junco e só ficam com o couro que carregam no burro e com ele voltam às terras altas, pois é impossível navegar rio acima com essas embarcações.